Sustentabilidade no Turismo no pós-pandemia: quais os caminhos?

por Luiz Penna Franca, diretor de Meio Ambiente da Associação Roteiros de Charme

Como continuar trabalhando a sustentabilidade no momento que o mundo busca sair da pandemia da Covid-19 e, ao mesmo tempo, enfrenta os impactos crescentes da mudança climática em aceleração? O que muda no trabalho com a sustentabilidade no âmbito dos hotéis associados da Roteiros de Charme?   

sustentabilidade no turismo

A pandemia ainda não acabou e a Mudança Climática não se faz esperar. O aumento dos eventos meteorológicos extremos dos últimos anos provoca inundações, vendavais, desabamentos, e incêndios florestais com impactos catastróficos ao meio ambiente, à economia e às populações.

A mudança necessária no padrão de desenvolvimento global para enfrentar esta ameaça, já entre nós, vem sendo discutida há décadas e agora o tempo para o planejamento chega ao fim. É hora de agir para conseguir resultados palpáveis ao longo desta década ainda.

A Conferência COP26, realizada em dezembro de 2021 no Reino Unido, pode ter sido o ponto de inversão da curva. Com o tempo se esgotando, o sentido de urgência para ação está mais evidente do que nunca. A ciência segue na tarefa de alertar e apontar opções. As novas gerações pressionam as lideranças de governos, parlamentos, empresas e organizações, cobrando as decisões corajosas que o mundo espera a fim de evitar o cataclisma prenunciado. Não será admissível continuar hipotecando o futuro do planeta, pois as piores consequências recairão sobre as gerações dos jovens que hoje saem às ruas. Os jovens são a chave para empurrar a mudança necessária. Não irão descansar.

A Agenda 2030 aborda toda a problemática do desenvolvimento do planeta de forma integrada atravessando todos os setores econômicos e dimensões do desenvolvimento. (Para mais informação https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavelhttp://www.ods.cnm.org.br/agenda-2030)

A Agenda do Desenvolvimento Sustentável  

Como lidar simultaneamente com o colapso da biodiversidade impulsionado pela mudança climática, com a poluição dos mares, do ar, dos alimentos, a fome, as guerras? O Mundo tem uma agenda que já mapeou o caminho para o que deve ser feito. A Agenda 2030, resultado de longo processo de negociação entre lideranças mundiais mediada pela ONU, pautada pela sequência de conferências e acordos globais sobre os caminhos para um desenvolvimento mundial sustentável desde a histórica Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992.

O Setor de Turismo tem um importante papel a desempenhar como indutor da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, inclusivo e regenerativo focado nos destinos turísticos. O Setor pode impactar de forma muito positiva a geração de empregos e distribuição de renda, a produção e o consumo sustentável, além de contribuir diretamente com as iniciativas locais de conservação da natureza, valorização da cultura e dinamização da economia colaborativa.

As recentes pesquisas de tendências do consumo para o pós pandemia revelam um aumento de expectativa do consumidor quanto à contribuição positiva que as empresas podem realizar na proteção da saúde das pessoas e do planeta. Cresceu o sentimento de que o mundo tem agora uma oportunidade para correção do rumo do desenvolvimento. Consumidores desejam maior envolvimento das empresas na construção da sustentabilidade do desenvolvimento econômico e diminuição das desigualdades que hoje assolam o planeta. Em suma, esperam de governos, empresas e organizações, o entendimento necessário para “Reconstruir melhor” o desenvolvimento global.

No Turismo, os consumidores mais conscientes passam a buscar oferta de empresas e produtos turísticos que já tragam a conexão com a sustentabilidade inseridas em seus portfolios, que demonstrem sua face cidadã nos destinos turísticos onde atuam. O turista consciente percebe que uma escolha criteriosa dos locais a visitar, agências e meios de hospedagem a utilizar poderá acrescentar à sua viagem de lazer o sabor de uma experiência ímpar que o torna copartícipe do processo de construção da resiliência e sustentabilidade do turismo em destinos turísticos. Esta é uma modalidade denominada “Turismo consciente” que tende a crescer no pós pandemia.

O que muda nos caminhos da Roteiros de Charme

A Associação de Hotéis Roteiros de Charme, desde sua fundação em 1992, compartilha os esforços dos organismos internacionais em prol do Desenvolvimento e do Turismo sustentável. Criada sob inspiração da Conferência Rio-92, a Associação foi pioneira em adotar seu Código de Ética e Conduta Ambiental a fim de orientar as atividades de seus associados no rumo da sustentabilidade.

Desde cedo, compreendemos a Sustentabilidade como um processo de construção gradativa e persistente de novos hábitos, valores e tecnologias, baseado no entendimento de que os recursos naturais não são inesgotáveis e que a mudança necessária só poderá ir adiante com a adesão maciça de toda a sociedade. Cabe aos agentes econômicos e sociais o papel de impulsionar o processo através de iniciativas de caráter didático, inovadoras, capazes de conquistar a adesão do público. Trata-se de processo de aprendizado coletivo, de educação e conscientização de todos os atores envolvidos.

É dentro desta lógica que os hotéis associados da Roteiros trabalham pela construção da sustentabilidade em seus destinos, em sintonia com as orientações dos organismos da ONU e da Agenda 2030. Há 23 anos a Roteiros mantém parceria de cooperação com o Programa de Meio Ambiente da ONU (PNUMA).

Para o pós pandemia portanto, a mudança no trabalho com sustentabilidade que enxergamos na Roteiros não é tanto na forma, mas sim na intensidade. A ONU pede o aumento da Ambição Climática de todos os países e líderes mundiais. A resposta a este apelo só ganhará o impulso necessário através da ação intensificada de empresas, organizações e sociedade conscientes de seu papel enquanto cidadãos planetários. A Roteiros faz um chamamento a todos os seus associados, hóspedes, visitantes, colaboradores, parceiros, comunidades residentes nos destinos para juntos aumentarmos nossa Ambição Climática, nossa Ambição por um turismo sustentável, por um desenvolvimento inclusivo e regenerativo em nossos destinos, nossa Ambição por um mundo viável para todos.

Leia mais: Entrevista: Luiz Penna Franca, diretor de Meio Ambiente

https://www.roteirosdecharme.com.br/codigo-de-etica-e-de-conduta/

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