Dia Mundial do Meio Ambiente: a história sustentável que a Roteiros de Charme escreve desde 1992.

Nascida no Rio de Janeiro no mesmo ano da ECO-92, a associação chega ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2026 reunindo 72 hotéis e pousadas em 17 estados e renovando o Código de Ética que criou com as Nações Unidas há mais de duas décadas.

Pousada à beira-mar associada à Roteiros de Charme com painéis solares e coqueiral, em São Miguel dos Milagres (AL)
Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres (AL): energia solar desde 1999, à beira de uma praia preservada. Foto: site oficial Roteiros de Charme.

No início dos anos 1990, planejar uma viagem tinha pouco a ver com perguntar de onde vinha a água do chuveiro ou para onde iam os restos do café da manhã. Foi nesse cenário que um grupo de hoteleiros se reuniu, em 1992, para fundar a Associação de Hotéis Roteiros de Charme. O Rio de Janeiro acabava de sediar a Cúpula da Terra, a ECO-92, e a palavra sustentabilidade ainda procurava lugar no vocabulário de quem vendia e de quem comprava hospedagem. A associação já a colocava no centro da sua razão de existir.

O ponto de partida foi uma estrada. Para montar o primeiro guia, os fundadores rodaram dezenas de milhares de quilômetros pelo Brasil atrás de hotéis e pousadas que reunissem três qualidades ao mesmo tempo: beleza, autenticidade e cuidado com o lugar onde estavam plantados. Esse critério, que à época soava quase romântico, virou método. Mais de três décadas depois, ele explica por que a marca Roteiros de Charme passou a significar, para o viajante, uma espécie de garantia de que ali existe charme com consciência.

Em 2026, são 72 hotéis e pousadas em 17 estados e mais de 56 destinos: praias do Nordeste, serras do Sul, cidades históricas de Minas, refúgios no Cerrado e no Pantanal, casas históricas e hotéis-fazenda. Cada um deles entrou na rede depois de passar por uma curadoria anual exigente. E cada um aceitou, como condição de entrada, um compromisso que a associação assumiu antes de o mercado cogitar isso: respeitar um código de ética e de conduta ambiental.

Uma promessa que se materializou em 1999

A convicção dos primeiros anos ganhou forma de documento no fim da década. Em 1999, em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Roteiros de Charme escreveu o seu Código de Ética e de Conduta Ambiental. O texto reunia compromissos concretos: envolvimento da direção de cada hotel, treinamento de equipes, redução de impactos em obras e reformas, manejo responsável de produtos químicos, respeito a sítios históricos e religiosos e convite ao próprio hóspede para participar do esforço.

Mais importante do que o conteúdo foi o lugar que o código ocupou. Ele se tornou a porta de entrada da associação. Nenhum hotel passou a carregar o nome Roteiros de Charme sem aderir a ele. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial de alguns associados para ser a fundação sobre a qual todos se apoiam.

A parceria com as Nações Unidas se aprofundou ao longo dos anos e desembocou, em tempos recentes, na pauta que define o turismo deste século: o clima. Em setembro de 2024, durante um encontro internacional realizado no Museu do Amanhã, no Rio, a associação aderiu formalmente à Declaração de Glasgow sobre Ação Climática no Turismo. O documento, lançado pela ONU Turismo e hoje subscrito por mais de 900 organizações em cerca de 90 países, organiza o compromisso em cinco caminhos — medir, descarbonizar, regenerar, colaborar e financiar — com a meta de cortar pela metade as emissões do setor até 2030 e zerá-las antes de 2050.

O reconhecimento veio também do poder público. Em abril de 2025, na feira WTM Latin America, em São Paulo, a Roteiros de Charme assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Embratur para apresentar os hotéis brasileiros ao mercado internacional como destino de hospedagem sustentável de alto padrão. A trajetória que começou numa estrada em 1992 passou a representar o Brasil lá fora.

Por que isso importa agora

O turismo é uma das maiores forças econômicas do planeta: movimenta cerca de um décimo da riqueza mundial e sustenta um em cada dez empregos, segundo levantamentos do World Travel & Tourism Council. Essa escala explica o tamanho da responsabilidade. As viagens respondem hoje por algo entre 7% e 9% das emissões globais de gases de efeito estufa, a depender da metodologia, e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente projeta que, mantido o ritmo atual, o setor pode multiplicar de forma expressiva o consumo de água, de energia e a geração de resíduos até 2050.

Diante desses números, a forma de receber se torna parte da solução. E é exatamente aí que mais de três décadas de prática acumulada deixam de ser história para virar vantagem concreta — algo que o hóspede sente ao abrir a janela do quarto.

Energia que nasce do sol

Na Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres, no litoral de Alagoas, placas solares aquecem a água dos chalés desde a inauguração, em 1999, quando o assunto ainda era exótico no setor. A piscina dispensa cloro, tratada por ionização. A água tem captação e tratamento próprios. O lixo é separado com rigor, e as sobras do restaurante e da horta voltam para a terra em forma de adubo, alimentando os mesmos canteiros que abastecem o café da manhã. O ciclo se fecha à vista de quem se hospeda.

Na Bahia, no coração da Chapada Diamantina, o Hotel Canto das Águas, em Lençóis, abraça o uso de energia solar fotovoltaica em toda a sua operação, uma escolha que o acompanha desde muito antes de o tema entrar na conversa do setor. Como ele, vários hotéis associados são 100% autossuficientes pelo uso de energia renovável, ou estão a caminho da autossuficiência, além da gestão visando a eficiência energética com redução de desperdícios.

Hotel Canto das Águas, em Lençóis, primeiro hotel sustentável certificado pela ABNT, na Chapada Diamantina
Hotel Canto das Águas, em Lençóis (BA): primeiro hotel sustentável certificado pela ABNT, às margens do Rio Lençóis. Foto: site oficial Roteiros de Charme.

Na Serra Catarinense, o Rio do Rastro Eco Resort transformou engenharia em paisagem. São dezenas de práticas integradas à operação: captação de água, telhados de vidro que aproveitam a luz natural, sensores de presença e energia solar. Uma das soluções virou símbolo — um monjolo movido a água que tritura mais de mil garrafas de vidro por mês, e o material moído vira piso das estradas internas do resort. O cuidado rendeu, em 2023, um selo internacional de gestão sustentável concedido por uma fundação europeia, o primeiro do tipo para um resort do estado.

Rio do Rastro Eco Resort na Serra Catarinense, hotelaria sustentável da Roteiros de Charme
Rio do Rastro Eco Resort, em Bom Jardim da Serra (SC): dezenas de práticas sustentáveis a 1.560 m de altitude. Foto: site oficial Roteiros de Charme.

Entre os Aparados da Serra, na divisa do Sul, a Morada dos Canyons estruturou seu programa ambiental em parceria com uma consultoria de ESG: geração de energia limpa, tratamento biológico de efluentes, monitoramento da qualidade da água, gestão de resíduos e até estação de recarga para carros elétricos. Sustentabilidade e sofisticação, ali, moram no mesmo endereço.

Morada dos Canyons com vista para os cânions dos Aparados da Serra, hotel sustentável da Roteiros de Charme
Morada dos Canyons, na Serra dos Aparados (SC): energia limpa, recarga para carros elétricos e vista para os cânions. Foto: site oficial Roteiros de Charme.

A comunidade é parte essencial da hospitalidade

A hospitalidade autêntica pede gente, e o vínculo com as comunidades aparece nos detalhes. Na Pousada do Toque, as hortas orgânicas alimentam também as famílias dos colaboradores; enxovais e móveis aposentados viram bazar ou doação; e um sistema interno de adiantamento sem juros ajuda funcionários a custear estudos, saúde e construção da casa própria. A pousada participou da criação e mantém um projeto que gera renda para mulheres da região e reforça a proteção do peixe-boi marinho, espécie ameaçada que vive nas piscinas naturais da Rota Ecológica dos Milagres.

A mesma lógica se repete rede afora, em escala local. Hotéis da serra catarinense compram de produtores vizinhos, cultivam suas próprias ervas e temperos e reaproveitam a maior parte dos resíduos. No Ceará, o Varandas Beach Hotel mantém um programa próprio que une uso consciente de água e energia, reciclagem, limpeza de praia e valorização da comunidade do entorno. O destino melhora junto com o hotel.

Varandas Beach Hotel em Águas Belas, Ceará, hospedagem sustentável da Roteiros de Charme
Varandas Beach Hotel, em Águas Belas (CE): programa próprio de sustentabilidade à beira-mar. Foto: site oficial Roteiros de Charme.

Estes exemplos acima representam somente uma amostra das inúmeras boas práticas implementadas por todos os nossos hotéis associados. O leque de atuação é amplo e reflete sempre as realidades e vocações dos destinos locais, nunca sem os desafios inerentes à hotelaria independente que busca longevidade e desenvolvimento que não só transforma mas regenera, sem comprometer a expectativa na qualidade e encantamento dos hóspedes.

Boa gestão também fala a língua dos bancos

Há uma camada menos visível e igualmente decisiva: a financeira. Empresas que medem e gerenciam seus impactos ambientais e sociais conquistam melhores condições de crédito, taxas mais favoráveis e acesso às chamadas linhas verdes, à medida que o sistema financeiro passa a precificar risco com base em sustentabilidade. O cuidado com a terra, no fim das contas, também sustenta o balanço.

Foi com essa clareza que a Roteiros de Charme estruturou, a partir de 2024, uma jornada de adesão aos princípios de ESG e em 2026 avançando na certificação para os associados, em parceria com uma plataforma independente e especializada em ESG. O caminho tem selos progressivos e oferece ao hotel mais do que um logotipo na recepção: entrega um sistema mensurável de gestão de impacto, com diagnóstico, plano de ação, monitoramento e relato. É o que conversa com o operador europeu que pergunta pelas práticas socioambientais antes de fechar negócios e com o viajante que escolhe com base em experiências e contribuições socioambientais.

Um código que se renova

O documento de 1999 abriu o caminho. Em 2026, ele recebe sua primeira grande atualização, agora integrado à jornada de certificação. A revisão transforma o antigo conjunto de princípios em um sistema de gestão completo: diagnóstico da maturidade de cada hotel, análise da cadeia de fornecedores, metas, acompanhamento contínuo e prestação de contas. O compromisso de origem ganha método, indicador e prazo.

Essa lógica de certificar o cuidado tem um marco histórico. O Hotel Canto das Águas, em Lençóis, na Chapada Diamantina, foi o primeiro hotel do Brasil a receber da ABNT a certificação de hotel sustentável, reconhecimento que coroa décadas conciliando conforto, preservação ambiental e desenvolvimento social da região, com uma hospitalidade tecida no encontro com artistas e artesãos da Chapada.

Entre as metas que a associação coloca à frente está eliminar o plástico de uso único nas operações dos associados, no mais tardar até o fim desta década, num esforço alinhado à Declaração de Glasgow e às iniciativas globais das Nações Unidas. Em junho de 2024, na Semana do Meio Ambiente, a Associação já apontava nessa direção, ao substituir embalagens plásticas, especialmente as de uso único, por alternativas mais sustentáveis nos hotéis. Por exemplo, a economia média de utilização de plástico em 2025 pela adoção de dispensers, em comparação ao uso tradicional de amenities (30 ml), foi de 66% representando mais de 45 toneladas, considerando somente os associados que possuem relacionamento com a Realgems, nossa parceira do ramo.

O novo luxo tem alma

O viajante mudou, e as pesquisas confirmam o que os hotéis da rede já percebiam na recepção. A grande maioria das pessoas declara hoje o desejo de viajar de forma mais responsável, e entre os brasileiros esse índice está entre os mais altos do mundo. O luxo de 2026 se mede em conforto, charme, qualidade, personalização, sim, e também em silêncio, tempo, natureza e pertencimento. É o luxo de viver experiências que renovam e enriquecem. É saber de onde vem a comida do prato, de conhecer a vila vizinha, de descansar sabendo que a sua pausa deixou o lugar um pouco melhor.

Na Roteiros de Charme, essas perguntas têm resposta com data, número e nome. O projeto comunitário tem gente atendida. A certificação tem etapa cumprida. É o tipo de transparência que transforma uma diária em memória e uma escolha em legado.

O hóspede entra na história

A Declaração de Glasgow descreve a ação climática como uma corrente: medir, descarbonizar, regenerar, colaborar e financiar funcionam quando cada elo cumpre a sua parte. A Roteiros de Charme tem 72 hotéis cumprindo a deles, todos os dias, em 17 estados. O último elo dessa corrente é quem decide onde passar a próxima pausa.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a forma mais simples de honrar uma história que começou em 1992 é dar a ela continuidade. Conheça os hotéis e pousadas da Roteiros de Charme, baixe o aplicativo Roteirista e escolha, para a sua próxima viagem, um endereço que cuida do Brasil enquanto cuida de você.

“Há uma simetria bonita no nosso calendário: a Roteiros de Charme nasceu na mesma época em que o mundo se reuniu, no Rio, para discutir o futuro do planeta. Chegar a 2026 com 72 hotéis comprometidos com esse futuro é um orgulho que divido com cada associado. E o convite que faço neste Dia do Meio Ambiente é simples: que cada viajante entre nessa história escolhendo onde se hospedar. O cuidado com o Brasil começa nesta escolha.”

Roberto Fusetti, presidente da Associação de Hotéis Roteiros de Charme

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