Como nos tempos dos antigos Barões

Belas fazendas cafeeiras esperam o visitante com um misto de luxo e de simplicidade. Guardadas as devidas proporções descontados os confortos inexistentes no tempo do império, como hidromassagens e campos de golfe - além, é claro, dos carros modernos guardados nas garagens - os antigos barões do café e suas famílias, com certeza se hospedariam sem traumas, hoje em dia, nas históricas fazendas de café fluminenses e paulistas transformadas em hotéis e pousadas.

Com a renda advinda do turismo, os atuais donos, muitas vezes descendentes da aristocracia cafeeira, mantém em bom estado a arquitetura dos velhos tempos com a casa grande, a senzala, a tulha para o armazenamento de grãos, o terreiro de secagem. E em muitos casos mantém, até mesmo, a produção de café.

Para quem quiser conhecer o processo do princípio ao fim, uma boa opção é começar por São Paulo, capital, com uma visita à cafeteria Fazenda Café do jovem empresário Eduardo Aranha, herdeiro de uma tradicionalíssima família da aristocracia cafeeira paulista proprietária da Fazenda Águas Claras, em Itapira, no interior do Estado. Na cafeteria Eduardo serve os cafés gourmets que são produzidos na fazenda que há oito anos, mesmo mantendo a produção do grão, ganhou uma estrutura extra para receber hóspedes.

A Fazenda Águas Claras pertence à Associação de Hotéis Roteiros de Charme, entidade que reúne hotéis e pousadas diferenciadas em todo o País e preserva em suas dependências o estilo arquitetônico original, trazido pelos imigrantes italianos, como os móveis de madeira nobre e paredes em taipa de pilão. Nos jardins, palmeiras imperiais convivem com flores exóticas e árvores nativas.

Os apartamentos estão localizados na antiga casa-sede, além de dois bangalôs com lareira, cama king-size e hidromassagem, com uma bela vista panorâmica de sua varanda. A hospedaria ainda oferece sauna úmida, a vapor, ducha e hidromassagem.

A culinária é tipicamente rural brasileira e tem especialidades como o frango na palha, o tutu à mineira e o leitão à pururuca. Além do café de produção local, os queijos, doces e pães são feitos artesanalmente com ingredientes produzidos na própria fazenda.

A Fazenda Pinhal, na região de São Carlos, a cerca de 220 quilômetros da capital paulista, integra a Associação Roteiros de Charme e foi declarada Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Na fazenda, guias treinados promovem visitas às instalações com seu imenso pomar, o casarão, terreiro de café, o pavilhão do antigo engenho e tulha-mestra com máquina de beneficiamento de 1885, que está ainda em funcionamento.

A fazenda teve suas terras demarcadas em 1831 pelo tenente-coronel Carlos José Botelho, a segunda geração da família na região. A partir dele e das próximas gerações, a família tornou-se uma importante força econômica e política no império com um dos seus integrantes, Antonio Carlos, recebendo os títulos de barão, visconde e conde do Pinhal.

"Praticamos uma hotelaria que alia história do Brasil, com conforto contemporâneo, como uma ótima carta de vinhos e lençóis de fios egípcios nas camas", orgulha-se a jornalista Sofia Carvalhosa, proprietária e herdeira da família que construiu a fazenda. "Procuramos colocar as frutas do pomar na mesa, como jabuticabas e as 'cabeludinhas' e 'uvais', frutas pouco conhecidas na cidade", salienta.

Sofia garante que há uma preocupação em receber os visitantes como nos velhos tempos. "Mantemos um ar de nossa casa. Sempre tem alguém da família recebendo os hóspedes."

O turismo cultural é hoje o principal mecanismo de conservação da fazenda, que dispõe de um total de 14 apartamentos, salas de estar com lareira, TV via satélite e DVD, lojinha com produtos típicos e quadras de futebol society e tênis, além de um salão de eventos de 240 metros quadrados, instalado na antiga senzala, com capacidade para 190 pessoas. A fazenda também oferece campo de golfe e centro hípico, em parceria com o Parque Eco-Esportivo Damha.

Outra opção é a Fazenda Capoava, próxima a Itu, no interior de São Paulo, que também integra os Roteiros de Charme. Neste feriado o hotel entra na linha das "viagens gastronômicas", comuns no exterior, e que andam ganhando adeptos no Brasil. A cozinha será comandada pela chef Ana Luiza Trajano, do restaurante paulistano Brasil a Gosto, aberto no ano passado e cujo cardápio é resultado de dois anos de pesquisa da chef por todo o País.

Na Fazenda Capoava a senzala doméstica e as casas de colonos foram transformadas em 25 chalés sofisticadamente decorados. Além disso, quatro amplos chalés estão situados no corpo do casarão e mantém preservadas as paredes, janelas e tetos originais. Outros três estão localizados perto dos lagos e da mata, próximos à saída das trilhas, quase em meio à Mata de Planalto remanescente. Sua sede é um casarão original do século 18. Com 50 alqueires, o hotel está distribuído em meio a cinco grandes lagos.

(Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8 – São Paulo, 24/10/2006 - Regina Neves)


Copyright 2006 © Roteiros de Charme

 
Caso você não consiga visualizar esta mensagem, acesse:
www.roteirosdecharme.com.br/boletins/roteiros38